Doenças silenciosas e seu tratamento

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Doenças silenciosas e seu tratamento
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A doença de Chagas pode manifestar-se até dez ou vinte anos depois de contraída e a única forma de evitá-la é eliminar o inseto causador — o barbeiro — através de medidas sanitárias.

Ao contrário do que o nome parece indicar, o mal de Chagas não se manifesta através de feridas ou chagas. O nome do micróbio causador — Trypanosoma cruzi — foi dado em homenagem a Osvaldo Cruz, que era diretor do Instituto Manguinhos do Rio de Janeiro (que recebeu o nome de Instituto Osvaldo Cruz), ao qual pertencia seu discípulo Carlos Chagas quando pesquisou a doença. Chagas — que deu seu nome à doença — foi o descobridor do micróbio que a provoca.

Transmissão e contágio da Doença de Chagas

O inseto causador da doença tem o nome científico de Triatoma, mas é vulgarmente conhecido por muitos nomes: barbeiro, chupança, bicho-de-parede, bicho-de-frade, porocotó. Ele mede uns 2 cm de comprimento, tem asas achatadas, largas e listradas na borda e parece uma barata comum, exceto por um ferrão comprido que possui na frente. Outra característica importante é que ele é hematófago, isto é, alimenta-se de sangue, não só animal como também humano.

Durante o dia, o barbeiro fica escondido em meio à madeira e nas frestas das paredes e telhados de barro dos casebres de pau-a-pique. Só à noite sai do esconderijo para ferrar as pessoas enquanto dormem. No momento em que chupa o sangue, deposita suas fezes que, repletas de parasitos microscópicos, transmitem a doença.

Ao coçar-se, ou ao tocar no lugar da picada, a pessoa ajuda os parasitos a penetrarem no corpo através de qualquer ferimento ou pela conjuntiva do olho, se a mão infectada tocar nessa região.

O nome científico da doença de Chagas é tripanossomíase brasileira ou americana já que ela não se manifesta somente no Brasil, mas também causa milhares de vítimas em outros países da América Central e do Sul.

O micróbio causador (Trypanosoma cruzi) vive normalmente no sangue de alguns animais (principalmente o cachorro, o gato, o rato e outros roedores), mas que não o transmitem diretamente, precisando do barbeiro como transmissor. Ao sugar o sangue de um animal hospedeiro, o barbeiro contamina-se com o micróbio e o aloja em seu intestino. Quando pica uma pessoa e defeca, transmite o micróbio à pessoa.

O micróbio é capaz de mudar de forma de acordo com o ambiente em que se encontra. No sangue, o Trypanosoma se apresenta como um microrganismo unicelular de forma curva e alongada. Quando passa do sangue para os tecidos, adota a forma ovóide, que se reproduz rapidamente. Dezenas, centenas de parasitos destroem células e fibras, danificando o sistema sanguíneo, o sistema nervoso, o coração e os músculos. Uma vez destruídas as células atacadas, os parasitos deslocam-se à procura de outras, reiniciando o ciclo de reprodução e destruição.

Espalhando-se por todo o corpo, o Trypanosoma ataca todas as células, principalmente as fibras musculares cardíacas.

Ao atingirem neurônios (células nervosas de diversos órgãos), os parasitos provocam perturbações no funcionamento do órgão afetado: o esôfago e o intestino, por exemplo, deixam de contrair-se regularmente para fazer avançar o alimento e se dilatam. O mesmo acontece com o
coração, que aumenta de volume. Multiplicando-se no coração, os parasitos ocupam o maior eixo do músculo, formando grandes aglomerados, verdadeiros ninhos, e destroem as fibras musculares.

O organismo reage contra os parasitos produzindo anticorpos, que eliminam muitos micróbios, mas não todos. A destruição dos parasitos provoca inflamações, principalmente nas pequenas artérias, o que perturba a circulação local e agrava as lesões causadas pelos parasitos.

Primeiro sintomas da Doença de Chagas

Dias após a picada do inseto, os olhos ficam inchados, ardendo e lacrimejando, e as pálpebras incham a ponto de ser difícil abri-las. Uma pequena íngua surge perto do lóbulo da orelha, ao lado do olho inchado. É possível que brotem erupções da pele em diferentes regiões do corpo e, no local da picada, surge uma inflamação indolor, dura e avermelhada. Furúnculos às vezes aparecem, mesmo longe da picada.

Poucas semanas depois surge a febre, mais comum em crianças, durando de duas a oito semanas. Além desse sintoma, há mal-estar, fraqueza, palpitações (“batedeiras de peito”) e cansaço ao menor esforço. Outras manifestações possíveis são problemas cerebrais – como encefalite ou meningite -, que nas crianças pequenas podem ser fatais.

O doente também pode morrer nessa época, em consequência de uma inflamação no coração chamada miocardite. Mas também pode ocorrer que os sintomas regridam durante semanas, meses e até anos – sem qualquer outra manifestação.  É  essa  a forma  crônica da doença.

Depois de um período de cura aparente, surgem as manifestações da cardiopatia chagásica, quando o coração tem suas funções alteradas pela presença do micróbio. Nessa fase, não há possibilidade de a doença regredir.

Os sintomas da insuficiência cardíaca causada pela doença de Chagas são iguais aos das moléstias cardíaca comuns: taquicardia (batimentos do coração mais rápidas ou em maior número que o normal); bradicardia (batimentos mais lentos); arritmia (irregularidade no ritmo), tontura e falta de ar.

Uma outra característica da insuficiência cardíaca chagásica é que ela incide em indivíduos jovens, geralmente entre os 20 e 40 anos, enquanto a maior parte das doenças cardíacas por outras causas costumam surgir depois dos 40 anos.

Com a progressão da doença, o cansaço aumenta e aparecem outros sintomas de deficiência circulatória – congestão do fígado e outros órgãos, inchaço dos pés e pernas, falta de ar, mesmo quando a pessoa está em repouso.

Diagnóstico e tratamento da Doença de Chagas

Na fase aguda, a doença de Chagas é diagnosticada examinando-se ao microscópio uma gota de sangue da pessoa doente, onde se identifica o micróbio. Na fase crónica, entretanto, há poucos micróbios na corrente sanguínea. Por isso, o diagnóstico é feito de uma forma indireta, através de um teste chamado reação de Machado e Guerreiro. Nessa prova, verifica-se se o corpo está produzindo anticorpos para o micróbio. O tratamento da doença é preventivo apenas: nas regiões rurais, as casas de barro e pau-a-pique devem receber periodicamente doses maciças de inseticidas. Quando se conseguir substituir todas as casas de barro, a incidência da doença se tornará menor, diminuindo o número de barbeiros, já que o inseto dificilmente sobrevive em habitações de tijolos. Por isso, o perigo para quem vive na cidade é praticamente nulo.

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